Chamada para o V Seminário Latino-Americano de Estudos em Cultura

A Rede Design e Opressão, formada em 2020, nasce do compromisso com novas formas de engajamento crítico e com a ampliação das possibilidades de construção de relações emancipatórias através do design. Por isso, é com prazer que o grupo convida a comunidade acadêmica, pesquisadoras(es), estudantes e pessoas interessadas a participarem do V SEMLACult – Seminário Latino-Americano de Estudos em Cultura com o tema “Epistemologias do Sul, Práticas Decoloniais e Diálogos Sul-Sul: Culturas e Territórios na América Latina Contemporânea”, que acontecerá entre os dias 14, 15 e 16 de abril de 2026, de forma presencial, nas dependências da UNILA e UNIOESTE, em Foz do Iguaçu/PR, na tríplice fronteira do Brasil com Argentina e Paraguai.

O SEMLACult tem uma longa e consolidada trajetória no fomento de pesquisa sobre cultura em suas diversas ramificações no território da América Latina. Nesta quinta edição, o evento está dividido por Salas Temáticas para facilitar a organização dos debates. 

A proposta da Rede DO ST-G02 — Design e Libertação: Práticas de Reexistência no Brasil e na América Latina é aproximar os debates culturais do campo do design desde uma perspectiva latino-americana. Isto é, compreender o design no campo ampliado da cultura, uma vez que práticas projetuais não apenas materializam objetos, mas produzem sentidos, narrativas, modos de vida e disputas simbólicas, dialogando diretamente com os estudos culturais latino-americanos. 

Ementa

Esta proposta surge da trajetória da Rede Design & Opressão, coletivo que reúne pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes e ativistas desde 2020 para construir uma prática de design crítica, popular, dialógica e participativa. Fundamentada em epistemologias latino-americanas e na pedagogia da libertação, a Rede DO entende o design como campo controverso moldado por relações de poder e pela possibilidade de resistência (SERPA et al., 2021; SERPA et al., 2022; VAN AMSTEL et al., 2021). Ao situar o design no campo ampliado da cultura, compreendemos que práticas projetuais não apenas materializam objetos, mas produzem sentidos, narrativas, modos de vida e disputas simbólicas, dialogando diretamente com os estudos culturais latino-americanos. Nessa perspectiva, o design pode constituir uma prática de liberdade, um processo político, educativo e tecnológico em que pessoas aprendem juntas e se esforçam coletivamente para transformar condições materiais e simbólicas da vida (SERPA et al., 2021; SERPA et al., 2022).

Compreendemos o processo de projeto como espaço de conscientização, conflito e transformação da realidade (MAZZAROTTO et al., 2023; SERPA et al., 2024). Essa perspectiva se enraíza em intelectuais da América Latina como Paulo Freire, Augusto Boal, Orlando Fals-Borda, Álvaro Vieira Pinto e Lélia Gonzalez, que, embora nem sempre reconhecidos no campo do design, contribuíram de modo significativo para seus fundamentos éticos e políticos.

Paulo Freire esteve presente nas origens e transformações do design participativo, influenciando diretamente a formulação dos projetos e conceitos iniciais (EHN, 1988; AMARAL et al., 2022; DESIGN & OPRESSÃO, 2021). Orlando Fals-Borda, com a pesquisa-ação participativa e o conceito de sentipensar, ampliou a compreensão sobre metodologias situadas (IBARRA, 2023). Augusto Boal, por meio do Teatro do Oprimido, propôs metodologias participativas baseadas na experimentação corporal e criação coletiva, inspirando abordagens performáticas no design (SAITO et al., 2022; VAN AMSTEL, 2019). Álvaro Vieira Pinto antecipou debates sobre autonomia e dependência da tecnologia, hoje centrais às práticas críticas e decoloniais em design (SAITO et al., 2024). Recentemente, pesquisadores também evidenciaram a relação de Lélia Gonzalez com o design social brasileiro (COSSIO; MARQUES, 2025) ao discutir identidade afro-americana e denunciar racismo e sexismo estruturais.

A partir de uma ética relacional (MAZZAROTTO et al., 2023) e da politização do design (SERPA, 2023), confrontamos práticas extrativistas que tratam comunidades como fontes de dados e defendemos projetos construídos com e a partir dos territórios, reconhecendo tecnologias sociais que emergem de experiências periféricas e populares (MAZZAROTTO, 2024; SERPA et al, 2024). Nessa perspectiva, fazer design é uma prática aprendida coletivamente como produção da cultura, capaz de disputar significados e afirmar modos de reexistência (SILVA, 2023; VAN AMSTEL; GONZATTO, 2022).

As autoras que propõem este simpósio integram também redes e articulações latino-americanas de pesquisa e ativismo em design, como Estudios Críticos de Diseño Latinoamericano (ECRID), a Red Latinoamericana de Diseño y Género ( ReLADyG) e a Diplomatura de Diseño Latinoamericano Decolonial e Inclusivo associada à Universidad Nacional de Rio Negro (UNRN), o que amplia o alcance do simpósio e favorece a mobilização de pesquisadoras, estudantes e ativistas de diferentes países da América Latina interessados em compor este espaço de diálogo Sul–Sul.

À luz desse referencial, o simpósio acolherá estudos, relatos e reflexões sobre: – práticas comunitárias de design em territórios periféricos, indígenas e campesinos; – tecnologias sociais e metodologias colaborativas; – design, luta política e movimentos sociais; – experiências de comunicação comunitária e arte enquanto práticas de resistência; – design popular e resistências projetuais.

Coordenação: Dra. BIBIANA OLIVEIRA SERPA (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Rede Design e Opressão); Dra. PAMELA CORDEIRO MARQUES CORRÊA (ESDI/UERJ e Rede Design e Opressão); Dra. SÂMIA BATISTA E SILVA (Universidade Federal do Pará)

Serão aceitos os seguintes formatos de trabalhos, em português e/ou espanhol:

Resumos expandidos: mínimo de 02 páginas e máximo de 05 páginas.

Relatos de experiências: mínimo de 02 páginas e máximo de 05 páginas.

Cartas pedagógicas: mínimo de 02 páginas e máximo de 05 páginas.

Artigos completos: mínimo de 07 páginas e máximo de 25 páginas.

📅 Data limite para submissão: 01/03/2026
📝 Inscrições Sala G ST-G02: https://claec.org/semlacult/simposios-tematicos/
🔗 Mais informações: @claecult